Versão completa a venda no site www.clubedosautores.com.br

                                  pelo boleto bancário. ( Livro impresso e E-BOOK)

MIL LÉGUAS - o livro

ÚLTIMAS PEGADAS

 

Vaz Lobo, RJ, 1986, aos 17 anos.

 

Pegadas

              tomam

                          forma

                                   na areia

O ressoar das ondas e das gaivotas

manifestam o quebrar de um

silêncio homicida

do grito de protesto

da paz dessa oração.

Grito surdo homicida.

Grito que só eu

consigo ouvir.

Caminho

pela margem da praia.

Passos silenciosos,

contemplando o pôr-do-sol.

Já são seis horas da manhã.

Um sol desponta no horizonte.

Praia deserta, apenas eu.

Um vulto triste a caminhar.

 

Pegadas

              tomam

                        forma

                                na areia

 

Passo a passo, deixo para trás,

lágrimas contidas que, por orgulho,

revolta já não conseguem chorar,

talvez por covardia do não

reconhecimento da derrota,

As memórias sem destino a vagar,

A vagar ao sabor do vento,

a entrelaçar as mechas de

cabelos, que até então,

não muito tempo,

seus dedos um dia deslizaram

Como também foi deslize bem sei

o fato de um amor tão desenfreado,

arrebatador e sem escrúpulos

ter seu triste fim ou seus dias

contados, esmorecendo a esmo,

se consumindo a cinzas, a pó, a nada...

São fragmentos do passado,

de um inteiro sem valor,

Sangra, sem piedade.

Causa vertigem no pensamento,

destruindo o pouco que me resta

se é que não roubaram de mim,

que é minha própria paz interior

 

Pegadas

             tomam

                      forma

                              na areia

 

E o passo continua na areia...

dessa vez decidido e confiante !

Pobre plebeu sonhador !

Não foi dessa vez que encontrou

o atalho a tão almejada felicidade,

E o passo continua na areia...

Um doce mistério se faz contrabalançar

com as folhas dos coqueiros

fazendo sumir do peito

inúmeras ilusões

sepultadas no tempo

sepultadas no espaço

no coração de quem já amou

 

Pegadas

             tomam

                       forma

                               na areia

 

Um albatroz zarpa das águas com um

peixe no bico e era como se fosse

uma pontada certeira ferindo um

coração já tão desprezado,

Como na natureza também no amor

não distingue de presas de predadores,

Tudo acompanha seu ciclo vital,

Todo relacionamento bem ou mal

tem seu começo, meio e fim,

Tudo acompanha seu ciclo vital

e também por ironia do destino

o amor que sentimos um pelo outro

 

Pegadas

             tomam

                       forma

                                na areia

 

Do alto do rochedo

Sentado estou,

Meu olhar se

perde no horizonte,

Respiro fundo embalado

por um doce forte de nostalgia

E o mar em ressaca trava sua luta

natural de encontro as rochas,

Se confundindo por vezes

com meu pranto.

A maresia,

companheira fiel

me faz companhia

A praia, se torna mais bela

(para minha surpresa)

com sua chegada

não pude acreditar

e abraçado ao seu corpo

ainda tive tempo

de olhar de relance

para a margem da praia

e ver as ondas

desfazerem

 

minhas

            últimas

                       pegadas

 

 

 

                                                                       Email: jaime. lsf @ outlook.com