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MIL LÉGUAS - o livro

 

               A TELA E A JANELA

 

               O controle remoto ligava a TV,

               reconhecia as cenas

               que ali se passavam,

               Havia ditadores,

               crises, guerras,

               fome, miséria.

 

               A tela era minha

               realidade digital.

               Estava longe de ser

               o mundo que projetei

               para mim,

 

               A janela – “minha

               realidade analógica”

               era tão realista  quanto a tela.

 

               Abria a janela,

               e perplexo pude ver

               um homem se arriscando

               a suicidar-se do 5º andar.

 

               E os vizinhos  egoístas

               ignoravam-no .

               Estavam preocupados somente

               com o silêncio do prédio.

 

               O homem saltou.

               A morte foi horrível.

 

               Já morto

               trazia uma expressão facial

               Desculpando-se

               pelo sangue derramado na calçada.

 

               “Terrorismo íntimo”,

               impera hoje.

               Suborno a autoestima alheia.

               “Terrorismo íntimo”;

               Pessoas enclausuradas

               nos seus monstros internos;

               Ilhadas no seu “Estado Islâmico”.

 

               Relações capitalistas;

               Falta de compaixão ao próximo.

               O amor virou “démodé”

               Sentimento retrógrado;

               modismo; tendência da

               estação; tendência oportunista.

 

               Por isso nos dias de hoje,

               Não existe mais,

               a diferença de outrora

               entre a tela e a janela.

 

               A realidade está em todo lugar.

 

               Bem vindos,

               “Irã e Iraque” brasileiro

               das noticias da TV

               das velhas-novidades

               que nós cansamos de ouvir.

 

               “Ouviram do Ipiranga ...

               sob margens turvas”.

 

                    Vaz Lobo, RJ, maio de 83, aos 13 anos

                    Correção-Barbacena, Minas, 29/06/2016, qua.

 

PADRE JOSÉ JOAQUIM CORREIA DE ALMEIDA

Jaime Lima

Barbacena, MG, 16/07/2016

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido!

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Não tratava-se de vaga vinda ao mundo.

Arcanjos anunciaram naquele abençoado

4 de setembro de 1820 –

a vinda de um poeta!

Poetas são seres ímpares!

Poetas nascem com uma missão!

Assim, foi com

Padre José Joaquim Correia de Almeida :

Evangelizar às avessas.

Evangelizar em versos sendo

cronista de seu tempo.

Evangelizar sob forma de denúncia.

 

A paisagem da até então Vila de Barbacena

lentamente iluminou-se resplandecente

com tintas delineadas com a pena certeira

ao longo do tempo de sua veia satírica.

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido!

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Tristeza se têm em resgatar sua história

que num arroubo faz minha alma desfalecer

Dir-se-á constatar a ele ser concedido

o título – esse eu que inventei – e o

que me parece ser – de “poeta marginal”.

Mal interpretados foram sim seus versos....

Só queria atingir de uma forma diferente

seus fiéis; mas a realidade é que....

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Padre atípico foi com certeza.

Não gostava de dar sermão.

Do Império a Velha República

personagens vários passaram

pela pena certeira de sua criação

dionisíaca – de sua fonte inesgotável

caricatural de seu tempo ....

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Fervorosamente combateu a escravidão.

Ironizou com desdém os Barões do Café.

Ah ! E não vamos esquecer que até

os jovens bacharéis de São Paulo foram

alfinetados no seu versejar....

 

Charles Darwin, até ele, vejam só !

De sua crença evolucionista; o padre

ironizou comparando os

mandatários do poder

com “camaleões” ,

de "muitas formas e cores".

 

Que coincidência ! Registro intemporal

com o cenário da política atual

de forma nua e crua noticiada na TV

dos "camaleões" tentando encobrir

suas mentiras nas CPI´s do Congresso.

 

Criticou os vícios da Velha República

na sua forma dogmática de governar...

e assim ganhando admiração de

Euclides da Cunha e Lima Barreto –

por mostra-se também ser adepto

a onda da “desilusão republicana

que imperava naqueles tempos.

 

Criticou a si mesmo, aos 61 anos,

ironizando a própria idade,

intitulando-se "velho reclamão”.

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Foi assim que se fez o baú das

preciosidades do padre:

23 livros; 22 de sátiras – ou

melhor versos satíricos.

 

"Atenção ! Atenção ! Leiam:

Noticia Histórica de Barbacena”;

- será que era assim que

meninos jornaleiros da

Velha República vendiam

registros literários nas ruas ?

Se não foi assim, acabei de inventar...

 

Memorável o poema “herói-cômico-satírico

da “República dos Tolos";

Memoráveis seus epigramas – ou melhor –

poemas curtos de no máximo 8 versos.

Memoráveis os Saraus Literários que

promovia em sua casa.

 

Foi pois, um presbítero secular,

ordenado no Rio de Janeiro –

que retornou a Barbacena aos 21 anos.

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Mas a paisagem da até então

Vila de Barbacena lentamente

alvoreceu com uma inconsolável mágoa

em 06 de abril de 1905 –

o reverendíssimo desencarnou e

deixou esse plano terreno.

As tintas delineadas –

já não eram mais precisas

pela sua pena certeira que tão

magistralmente rascunhava no papel

numa feroz tentativa,

que para época, foi em vão,

em denunciar e corrigir

as instituições sociais e políticas.

 

Seus versos desfaleceram-se

na dor de sua fragilidade

e repousa agora na cabeceira

dos dogmáticos “donos da verdade

jornalescos de quinta” ,

e contemporâneos críticos literários.

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

A pena agora que tenta resgatar

o momento histórico de outrora

sempre vai ser do padre,

pois sua obra permanece viva.

Mas, mesmo que tivesse morrido,

agora a luta também é minha!

 

Apesar, do tempo cruel,

diluir-se, consumir-se a nada....

Peço, ajuda, aos arcanjos,

os mesmos que relatei no inicio

dessas modestas linhas –

os mesmos que concederam a graça

– “a missão divina” do versejar

do padre... que essa luta passe

a ser minha; passe a ser sua...

quiçá, formar uma legião de

seguidores do padre...

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

É preciso saquear quantas vezes

for preciso feito instituição bancária –

o baú do patrimônio histórico de

Minas Gerais. Um baú enaltecido com

reservas ... diante de toda imensidão

dos tesouros literários do reverendíssimo:

“ – Mas porque só se deve seu prestígio

e reconhecimento na sua fase republicana

e não monárquica ? “.

 

É preciso educar Minas Gerais !

Que se ensine nas escolas - até mesmo

nas aulas de teologia – a fim que se estude

não só seus livros (o mais importante deles

A República dos Tolos”)...

Que até originou tese de mestrado !

Mas também de compreender

toda a força de sua sátira política...

Mas também de compreender

toda a força de sua sátira de costumes.

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Por ironia tão-somente

só conseguiu atingir a

indiferença das elites literárias...

 

Mas, o pulsar da obra do padre

permanece vivo na UTI.

Beira oscilante, as vezes

para o estado terminal

e volta e meia ressuscita

e cala a boca dos historiadores.

 

Os homens se vão.

O tempo é cruel.

O legado fica.

A obra permanece.

 

Cuidado deve-se ter com o bicho-história!

É asqueroso, nojento, seus tentáculos

parecem sanguessugas...

Fazem lavagem cerebral aos ignorantes

literatos a seu bel prazer...

Fazem lavagem cerebral na mente

esquizofrênica dos “jornalescos de quinta

na febre louca em denegrir os fatos

juntos a seus tabloides e máquinas de escrever.

deturpando os fatos ao longo das gerações

daqueles que em vida foram (e ainda são

e sempre vão ser) brilhantes em seu tempo.

 

Do Império a Velha República

Só queria fazer-se entendido !

Atingir as elites políticas...

Mas, parece – e quero acreditar nisso,

que só agora, as elites literárias,

num gesto nobre (antes tarde do que nunca)

estão se redimindo de sua primeira análise

e ainda em tempo, diga-se de passagem

estão se redimindo de sua injusta análise...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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