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MIL LÉGUAS - o livro
 APRENDIZ O destino disse: - Seja poeta! A razão disse: - Seja poeta! (e o coração?) Calado este ficou. Religião? Não, não tenho. Apenas acredito em Deus Em compensação os versos significam a essência da vida: UM RITUAL. Partido? Não, não tenho. Pois para expressar o que sinto não preciso comprar legendas ou me corromper. Já carrego dentro do meu peito um palanque da onde transmito o que julgo ser mais profundo. O destino disse: - Seja poeta! A razão disse: - Seja poeta! (E o coração?) Calado este ficou. Filosofia? Ideologia? Não, não tenho. Acredito naquilo que escrevo e o que escrevo consola-me e satisfaz. O destino disse: - Seja poeta! A razão disse: - Seja poeta! (E o coração?) Calado este ficou. Poeta consagrado? Não, não sou. A maturidade dos versos vem junto com a vivência do poeta, Não pretendo ser entendedor das leis da metrificação poética. A poesia que me leva. Eu que levo a poesia. Satisfeito estarei através dos versos em simplesmente “tocar alguém” – “transmitir mensagem”. O destino disse: - Seja poeta! A razão disse: - Seja poeta! (E o coração?) ... começando timidamente a se pronunciar . Vaz Lobo, RJ, 1987, aos 17 anos. PRAÇA DOS ANDRADAS Jaime Lima Barbacena, Mg, 27/07/2016 Nome a soar em mim renovação: cores, paisagens, pessoas. Nome a soar em mim libertação: novo microcosmos do meu jeito de ser. Universos que se entrelaçam, por vezes conflituosa, por outras, harmoniosa: "- Sou mineiro carioca? Ou carioca mineiro?". Colcha de retalhos, esse sim, sou eu - coleção de muitos "eus experimentais" - da alma cigana de paisagens diferentes que contemplei. Mudança de "ares" necessária! Mudança de parte de mim que se faz presente - compromisso urgente de renovar minha geografia - do novo ser humano que se habita em mim - com um novo traçado territorial na forma cosmopolita de procurar entender os desígnios dessa vida. A mudar minha geografia - outrora de alma praiana - agora deslocado, por circunstâncias do destino, acima do nível do mar. Praça dos Andradas é o grão de areia do mar que não existe - do pouco do universo de Minas Gerais. Nele pode ter-se uma ideia da "áurea" do diferente - que é o povo acolhedor de Minas Gerais. Praça dos Andradas da Igreja da Matriz, do chafariz dos memoráveis tempos de fonte luminosa sob o ritmo esplendorosamente musical. Praça dos Andradas de Barbacena outrora dos macacos pregos e dos bugios arteiros e saltitantes das árvores ! Hoje o que se vê são ... bichos preguiças políticos ! Praça dos Andradas dos senhores (muitos deles idosos) sentados nos bancos entretidos em vários "dedinhos de prosa" com seus pares - relembrando "causos" antigos no meio do carteado e jogo de damas. Praça dos Andradas - dos eventos musicais e tantos outros - será que um dia terá algum evento literário ? Do cafezinho gostoso servido no Quiosque Ouro Verde. Do comércio, da lotérica, dos bancos, da Câmera dos Vereadores, das Feiras de Artesanatos, das bancas de jornais, do coreto...(Lembrando a lúdicas Praças do Interior !) Dos cachorros aos montes a perambular...( Que lástima ! ) Mas até os cachorros ao relento são felizes ... Mas até os cachorros ao relento não desconfiguram o "cartão postal" da eterna Praça dos Andradas ! Sou mais um estrangeiro - certamente como tantos outros na cidade - a vislumbrar esse cenário ! Sou mais um estrangeiro no confronto divertido de "esses" e "erres" - tentando sobreviver nessa correnteza (que agora) é sem mar. A correnteza da vida ! "- Será que minha alma praiana perdeu-se de mim ? Foi abandonada? Perdeu-se no caminho a milhares e milhares e milhares de quilômetros de mim ?". Só sei que hoje o caminho é Barbacena. Amanhã quem sabe, será nostalgia. Amanhã quem sabe, terei saudades da Praça dos Andradas e terei a voz embargada não conseguindo pronunciá-la - cortada na primeira sílaba. Amanhã quem sabe a Praça dos Andradas - será apenas lembrança de um longínquo, longínquo ... longínquo ... versejar de um carioca estrangeiro.

 

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